sem título – 090

São os bipes alternados das caixas registradoras
que levam a mente fluir
entre bipe e outro

Cada peça em seu lugar
a engrenagem azeitada

Monótono ofício de registrar números
abre a gaveta
confere dinheiro
confere troco
fecha gaveta

e mais
bipe aqui

bipe ali

bipe lá

bipe aqui

bipe lá

digite a senha por favor

obrigado

[volte sempre não se usa mais,
pois, obviamente, votaremos sempre]

então a mente desprende
percebe neste patético ofício

não é o desenho
não é o ganho
nem o gasto

tudo é pasto

é capim de papel
que alimenta

o ir
o vir

com sumir

mas o que alimenta o sonho
aquele de goiabada

é o saber que existe
no mundo
outro ser

que viva na mesma leveza
de notas e cifras
tão diferentes
tão bem desenhadas no ar

o ser
que plana, leve,
mesmo que em pensamento.

a leveza da liberdade
sustentada pelo pesado fardo
da solitude

o sonho [aquele de goiabada]
que dia a dia
se abra o peito
semeie
plante

povoe o pensamento
até tomá-lo,
este ser,
por completo

de ti,
que flutua em
seus pensamentos
dissonantes,
quero apenas
todo teu ser

apenas para todo
nosso sempre

para queimar em desejos
saciar nos passeios
embebedar nas divagações [sem fim]
comover em silêncios
explodir no riso

para desejar cada pedaço molhado,
do duro mamilo à boca sedenta,
do ponto ao laço,
toda esta mulher
por baixo da toalha
que vai cair

que castigue minha derme
com vermelhas unhas cravadas

que sacie meu ouvido
com gemidos
sussuros
teus gemidos
teus sussurros

aqueles que somente
se forem os teus
e de mais ninguém

bipe aqui

bipe lá

bipe aqui

bipe

bipe

bipe lá
bipe ali

pergunta aqui:
– mais alguma coisa senhor?

largo sorriso:
– não, moça, apenas isso.

[o pensamento]:
– não moça nada,
que você possa resolver… =]

sem título – 089

aquele ir somado ao aquele vir pessoas recém acordadas, ou não dormidas prontas para outos destinos em asas metálicas asas que levam sonhos quando é dura a decisão de cair fora se atirar dentro nesta eu já embarquei faz um tempo sem perceber já estava dentro para que o nexo?

sem título – 089

aquele ir
somado ao aquele vir

pessoas recém acordadas,
ou não dormidas

prontas para outos destinos
em asas metálicas
asas que levam sonhos

quando é dura a decisão
de cair fora
se atirar dentro

nesta eu já embarquei
faz um tempo
sem perceber já estava dentro
flor2

sem título – 088

é fato
a memória dos odores de outubro,
daquele outubro
de manhã apreensivas
noites não dormidas pela espera
contorno esguio
retilíneo
de elegante sorriso
contínua situação
mudez para não delatar a insanidade
sem nomes nem mais anagramas
nehuma grama
impregnada
nas paredes
na rede
está a presença
sorriso multicolor
em meio a uma massa monocromática
que se materializou
3500 km depois
insanidade
leve descontrole
as adoráveis memórias
inominável certeza rastreada
de não ter havido outra
com mesmo timbre de voz
íntimo sorriso
a única que possui o beijo com a
fantástica força detonadora
igual ao brilho das estrelas
que logo se propaga ao infinito
que nenhuma outra apagará
sanidade e sobriedade
outra certeza

sem título – 088

é fato a memória dos odores de outubro, daquele outubro de manhã apreensivas noites não dormidas pela espera contorno esguio retilíneo de elegante sorriso contínua situação mudez para não delatar a insanidade sem nomes nem mais anagramas nehuma grama impregnada nas paredes na rede está a presença sorriso multicolor em meio a uma massa monocromática…
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004

Por que a poesia é bem acompanhada da chuva. Se for em um barzinho, decaído, de noite, sentindo saudade… tanto melhor Tanto melhor ainda, se o ritmo vier da distância, se a distância separa o desconhecido, então, se acompanha com água de côco.. Líquida onda de ir e vir. Sentimento com um pulsar, lento, cardíaca…
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